Princesinhas
No caminho para casa, são muitas as que vejo. E também piratas, e muitos outros disfarces.
Recordo com saudade os tempos em que ansiava por esta altura, e por tantas outras… O Natal, a passagem de ano, o Carnaval… Estes eram os melhores dias do ano! Recordo o ano em que me senti a mais bonita princesa do mundo, no meu vestido cor-de-rosa… Hoje nem sei o que é feito dele! Lembro-me do ano em que fui espanhola, a tentar fazer “clack” com os sapatos, e a lutar com as castanholas de plástico que tinha. Lembro de andar vaidosa, pois era a única menina com um vestido vermelho com bolinhas brancas. Estava frio, mas não fazia mal. Belos tempos, em que o mundo era um conto de fadas. Belos tempos, quando ansiava pelo Carnaval, e pelo dia em que me mascarava. Belos tempos…
Agora sorrio apenas, ao recordar estes tempos passados. Sorri ao ver a princesinha de amarelo, com uma coroa e uma varinha mágica. (Seria uma fada?) Vaidosa, também ela, abanando os folhos, e chamando a atenção de todos. Engraçado, agora que penso, como as pessoas mudam tanto, não é? “Mascarar-me? Por favor, não tenho paciência para isso…” Confesso que é um pouco triste, mas a vida não é um conto de fadas perfeito… Agora tento ser uma princesa em dias especiais, uma bruxa quando as circunstâncias o exigem, mas sempre sem a cerimónia de antigamente. Também há dias em que queremos apenas ser “cenouras”, como fui num Carnaval longínquo.
A vida tem momentos perfeitos, e fadas temporárias, e príncipes e princesas intermitentes, mas também tem as bruxas e os feitiços. Tem tudo, menos a certeza de um final feliz, porque a vida não tem um capítulo apenas, e não se sabe quando chegará o final.
Tempo
Diz-se muitas vezes que o tempo que passa “é relativo”. Um dia pode ser muito tempo, num situação crítica, ou, noutra situação, passar num ápice. Um ano ao ser vivido é um longo período de tempo, mas ao ser recordado, a história é outra…
Que dizer de três anos? Três bons anos, cheios de boas recordações, e, agora ao recordá-los, parece que aconteceu tudo ontem, mas por outro lado, foi tudo há tanto tempo, e tanta coisa mudou… O importante é que o essencial permanece e se mantém forte.
Nem tudo é um mar de rosas, como tudo na vida, mas são as coisas boas que fazem com que tudo valha a pena. Há que passar por fases menos boas para se saber apreciar o que a vida no trás de bom, certo?
Três anos, é muito pouco, e quero muito mais. Mas é também verdade que é muito mais do que muita gente pode ambicionar.
As memórias que mantemos não são do período inteiro, mas de pequenos momentos, os especiais, os que vale a pena recordar, e os que nos dão forças para continuar. Porque se um dia chegar o fim, são esses momentos que ficam, e justificam o tempo todo que passou.
Adoro todos estes pequenos momentos. Os pequenos rituais, e os “firsts” que ainda nos restam. Sobretudo, adoro-te a ti. Adoro passar tempo contigo.
Amo-te!
Desequilíbrio
São frases sentidas, mas sem fundamento algum. São pensamentos perdidos de quem por momentos se esquece do mundo. São pedidos e desejos, a partir do vazio. Nada diferente, apenas as circunstâncias de dois mundos que se alteram a tempos diferentes.
O mundo não é só um. É o meu, e o de cada um de vós. Com o seu ritmo, e os seus problemas. Entender isto não deveria ser um problema complicado. Um relação entre duas pessoas, é isso mesmo, um relação, independentemente da natureza da mesma. Uma pessoa muda, a outra modifica-se com ela, também. Acção – reacção. Uma acção, ou falta dela, não significa o fim de tudo. Sobretudo quando as graves acções são quase imaginárias, não existindo na profundidade afirmada. Mundos são como velas, ora acesas, ora apagadas, ora estremecendo e ameaçando dar lugar à escuridão. Mundos são velas mágicas que, quando já não há esperança, se podem ainda reacender com a máxima força.
Mundos não se desligam, simplesmente. Afastam-se. Mudam. E reencontram-se. A seu tempo, quando os ritmos dos dois encontrarem o equilíbrio. Porque mundos diferentes, funcionam de formas diferentes.
A ausência de sintonia não significa o fim de tudo.