É como eu estou… Não sei o que dizer, nem o que pensar, nem o que fazer…
Talvez já vá sendo altura de descodificar esta situação: acabou uma amizade que já durava há quase 7 anos. Era uma amizade forte, e a única assim que tinha. Agora que acabou, vejo que tinha muitos pontos fracos, e que não era baseada em coisas fortes, mas em verdades pouco reais.
Passo a explicar. Todas as pessoas têm defeitos, pequenas falhas dispensáveis, e eu também. Para conseguirmos lidar com uma pessoa temos, muitas vezes, de ignorar esses aspectos, dar-lhes pouca importância, camuflá-los, ou arranjar desculpas. Durante 7 anos, fiz tudo isso, e tudo correu bem. A verdade, é que nem sempre fui como sou agora, era fraca, mais ainda. Quem sabe o que custa ser rejeitado, sabe como me sentia. Caso não ignorasse, caso respondesse, ou contrariasse, era o fim, e eu ficaria sozinha. Então, durante todo este tempo, não tinha grandes opiniões, nem grande personalidade.
Este ano, tudo mudou, eu sinto-o, e agora provei-o.
Torna-se tudo mais difícil quando se vive com a pessoa em causa. A convivência diária, as inúmeras outras falhas que passamos a conhecer, podem matar qualquer relação. Tal como não podia contrariar, também era “proibido” estar de mau humor e dar respostas tortas. Acontece que a vida não é um mar de rosas, e todos temos dias maus.
A partilha de uma casa exige que se cumpram certas regras, algumas não mais do que bom senso. Mas, ao que parece, apenas para algumas pessoas. Apenas uma pequena observação, uma correcção, uma chamada de atenção, feita sem um sorriso e não seguida de um pedido de desculpas, geraram tudo isto. Não vou negar que havia outros factores de influência, mas apenas isto teve a ver comigo.
Realmente, o bater das asas de um borboleta, coisa insignificante, é capaz de provocar uma tempestade.
Não consigo compreender como tudo aconteceu depois, foi demasiado rápido. Reacções desnecessárias e quase provocatórias, que ficaram sem resposta. E continuou sem haver qualquer pedido de desculpas. De qualquer das partes. Agora, duas semanas depois, ela foi-se embora.
Não fiz nada de mal, mas não consigo deixar de me sentir culpada. Não tenciono voltar atrás, mas não páro de pensar no que aconteceria se não tivesse falado. Provavelmente, explodiria um dia e perderia a razão. Não consigo deixar de pensar. Sinto pena, sinto raiva, até algum alívio, mas também me sinto triste. Porque depois me apercebi de que não há muito mais gente à minha volta, e me senti sozinha. Depois, também percebi que há por aí muita gente simpática, com quem posso ter uma amizade verdadeira, sem ter de deixar de ser quem sou, por medo, por me achar inferior.
Já devia ter aprendido, mas parece que só agora percebi.
Tenho quem é preciso, e só preciso de quem tenho.