Grrrrrr
As minhas lágrimas são independentes de mim. Caem quando se sentem chamadas, e odeio-as por isso. Odeio mostrar fraqueza quando me faço forte, odeio ter de reconhecer que não sou por dentro como me julgo. Odeio ser forçada a admitir que estou a perder batalhas. Odeio sobretudo ter de chorá-las. Contenho-as o mais que posso. Mas por vezes basta um olhar, e todo o muro que me isola dos sentimentos que guardo cá dentro desaba.
Irrita-me porque não páro quando quero. Irrita-me porque quando começa, não tenho controlo sobre mim. Irrita-me sobretudo porque não quero chorar. Quero aguentar, e evitar chegar a uma situação semelhante. Irrita-me porque quando caem não há mais como negar que há coisas que são demais para mim, mesmo que me recuse a admiti-lo.
Irrita-me não ser a pessoa que me julgo. E custa-me chegar ao ponto em que o meu próprio corpo me dá sinais, e me manda abrandar, ainda que por uns instantes. Custa-me limitar-me para não sofrer. Custa-me sofrer. Há vezes em que
melhor seria não sentir. Não analisar e não processar todo o mundo à minha volta.
Bem sei que há muitas (muitas mesmo!!) coisas que me irritam. Imagina que sempre que lembrasses o teu calcanhar de Aquiles, um letreiro na tua testa te denunciasse. Imagina teres medo daquilo que podes pensar, e consequentemente sentir. Imagina-te numa sala cheia. Recebes a notícia que mais receias. Consegues imaginar todas as cores que o tal letreiro vai ganhar? Não. Tens sorte. No meu caso não há cor do arco-íris que fique esquecida.
Irrita-me que nem a mim me consiga iludir.


Nevoeiro
Numa época em que ninguém olha para cima, toda a gente se exalta quando chega o nevoeiro.
Numa cidade onde o mundo gira em volta de cada um, todos refilam quando o restante mundo fica pouco visível.
Irónico, não? Talvez apenas para mim, dado que tudo o que escrevo tem significado diferente do literal…


Era uma vez a formiguinha
Sinto-me frágil, sinto-me pequena.
Uma pequena formiguinha, numa dança de gigantes, cada vez mais rápida, cada vez mais bruta.
É como se não valesse a pena fugir, é uma dança rápida, e eles não me deixam afastar-me. Tenho de ter medo, encolher-me, fechar os olhos e esperar que tudo se acabe depressa. Para perceber que ainda não é desta. Porque não sou eu que decido. É um ciclo, fugo e espero o final que nunca se aproxima. É um ciclo constante e interminável.
E os risos, aquelas gargalhadas que ressoam no vazio em que o meu mundo se transforma. As gargalhadas e os olhares, aqueles olhares… Um misto de pena e maldade, qual delas a melhor. Sei que pensam que este não é o lugar certo para uma formiguinha como eu. Mas onde é o sítio certo para alguém que sempre pensou ser um elefante como aqueles que giram agora em círculos à minha volta? Será impossível ser aquilo que imagino? E agora cantam. Soam a canções de vitória. Não deixam que cante com eles.
Os elefantes são maus. Porque é que quero ser um deles?
Era uma vez um formiga como eu. Queria ser um touro. Tentou comer como eles, falar como eles, cantar como eles. Tentou correr como eles, e acabou por morrer esmagada. Se a conhecesse, diria “I told you so”. Mas não a conheci. Nem sou digna de julgar quem comete o erro em que eu insisto.
Há apenas dos resultados possíveis. Ou começo a “crescer”, ou… Coiso.
Hoje foi um dia daqueles.
F. esta treta toda.

Coisas, com mês e meio de atraso :)
Passou algum tempo, não muito. Ok, muito tempo. Pronto, quase dois meses. É a vida, e as coisas da vida, que é como quem diz, “die Técnico, DIE!!”. Uff, muito mais aliviada agora
Voltando a coisas sérias: dizem-me que a vida continua lá fora, mas tenho tido alguma dificuldade em aceitar as provas. São poucos os instantes entre as minhas duas “casas”, não há contacto com qualquer forma de vida. Como manter a esperança? :/
Muito longe do estado de espírito que nos faz a todos ver o mundo em tons de rosa. Continuando a arrastar-me, porque tudo há-de mudar. Quando? “Quando for a altura certa”, não é uma resposta muito reconfortante. Nenhuma resposta o é, ninguém pode oferecer a confiança de uma certeza. Não há como prever o que vai acontecer. Há palpites, há tentativas, e há algumas coincidências.
Que mais é a vida, do que uma sequência de coincidências?
Os exercícios que saem num teste, exactamente aqueles que optei por não estudar, o local onde ponho o pé, logo de manhãzinha, e onde calha a estar um vidro, a forma como, tão inesperadamente, dois olhares se podem cruzar, numa sala apinhada, e gerar um final feliz. É verdade, contos de fadas são coincidências, sequências de felizes coincidências. É coincidência a mais, não é a vida real. Logo a vida real não é um conto de fadas. QED.
A vida real é uma sequência do mais inesperado, improvável, e, como tal, não há “previsões-certeza”. A pessoa esforça-se, trabalha, e, se tiver sorte, haverá um feliz-acaso. Soa bem, não é? Até nos faz questionar o sentido da vida que escolhemos. Para quê o trabalho que temos para conseguir algo, se no final é tudo deixado ao acaso? Não há destinos, não há causa-consequência (acho que vou ser expulsa do Técnico), há acasos.
Há sorte. Haverá um bocadinh disto para mim? É que isto de trabalhar e não ver frutos é um pouco frustrante :/
Amor, paz, sininhos e neve, que é isso? Espírito natalício? Ham? Ah, natalISTico? Sim, isso sim, é aquilo que se sente por estas alturas do Natal, quando chega a altura da partilha de conhecimentos, oferta de notas (ou falta dela), e quando fazemos a lista das cadeiras que queremos fazer, porque fomos “bons meninos”. É aquilo que espalho na minha secretária no dia de Natal, entre os Ferrero e as meias da avó da noite anterior. Os livros, e as folhas escritas até à exaustão – o único tipo de espírito que o Técnico nos autoriza a ter. É que é pré-requisito recusar-se a festejar Natal. “Queres árvore? Tens um mastro em frente ao central. Põe-lhe fitas”. É este o espírito. É esta a vida no IST. É esta a opinião cansada de quem se fartou, e mesmo assim continua, porque tem de ser. É assim, e mais nada.
OP
Oceanooo Pacíficooo. ZZZZzzzzZZZZ
It’s killing me softly. Literalmente.
Caminhos
Aos poucos hei-de ir ao lugar.
Mas… dando um passo em frente e dois para trás, não é preciso estudar Matemática para perceber que há algo que não está certo.
It’s time to change strategy.
Sonhos impossíveis
Nada é pior do que sonhar. De pé, ou a dormir. Que bom pode trazer a constatação de realidades melhores, e impossíveis? Quem bem nos fará pensar que estamos num sítio, com algo ou alguém, que nos faria, julgamos nós, mais felizes? De que nos serve saber que não o teremos nunca?
Sonhando acordados, pedimos realidades impossíveis, que trazem depois o grande balde de água fria.
Dormindo e sonhando, podemos ter qualquer impossível, tornando ainda mais difícil, ao acordar, perceber que nos resta a nossa dura realidade. Que não vai mudar. Por muito que se sonhe. Por muito que a realidade se parece estar a encaixar nos eixos do que sonhámos. Por muito que se “sinta” que é desta. Por muito que aconteça.
Sonhos são sonhos. São cor-de-rosa, azuis, repletos de unicórnios e fadas. Com varinhas mágicas.
A vida não tem nada disto. De tudo o que existe, real ou imaginário, muitas das coisas melhores não serão nunca possíveis de agarrar, se sentir, de viver.
Just keep it real.
Don’t fool yourself, and you won’t get hurt.
Life sucks.
Don’t you know that by now?
Welcome to my life.
Não é bem assim, mas é tudo aquilo de que estou convencida neste momento.
Não vale a pena o esforço de imaginar diferente, se for melhor. Quem sofre sou eu.
Não vale a pena o sofrimento do embater com a realidade, uma vez mais, para verificar que, afinal, ainda é de pedra.
Não vale a pena o desgosto, a tristeza, a desolação, a desilusão, o desapontamento. Comigo, com o mundo, e com a minha vida.
Esta noite não quero sonhar impossíveis, pode ser? Não preciso de, por algumas horas, sonhar possuir aquilo que nunca vou alcançar.
Thanks.
Beautiful
“Don’t let them say you ain’t beautiful,
they can all get fucked, just stay true to you”
Porque gosto, porque me apetece, e porque sim.
“You’d have to walk a thousand miles
In my shoes, just to see
what it’s like, to be me.
I’ll be you, let’s trade shoes
Just to see what it’d be like
To feel your pain, you feel mine
Go inside each others’ mind
Just to see what we’d find
Look at shit through each others’ eyes”
Diários e pseudo-diários
“Querido diário,
Gostava de saber o que me faz ser assim, o porquê de fazer o que não quero, o que não gosto, e de me sentir a isso obrigada. Gostava de saber o motivo da culpa que não devia carregar. Gostava de saber até quando vou sentir-me assim. Quero pensar que vai mudar. Mas como? Não há nada que possa fazer, e o mundo continua a girar da mesma fora se nada fizer.
Melhor do que ninguém, sabes o porquê de tudo o que choro, de tudo o que penso em segredo. Melhor do que ninguém, sabes quem sou. Mas não passas de uma folhas de papel soltas, em que tento sentir-me melhor. És o meu melhor amigo. Não tentas mudar-me, não me julgas, não me censuras, não me esqueces, e nunca me vais abandonar. Mas preciso de mais, e também sabes disso. Como? Estou presa. Condenada.
Querido diário,
Hoje foi o dia. Não sei o que pensar.
Querido diário,
Começa a passar. Foi-se a culpa, quase toda… Foi-se a dor. Foi-se tudo, e fiquei eu. A original. Sem disfarces. Chegou a hora do adeus. Desculpa, mas já não preciso destas folhas, e sei que compreendes. Obrigada por tudo, e por me ajudar a manter-me “eu”.
Adeus, vou viver.”
De: Quem quiser, em qualquer lugar, em tempos idos ou vindouros.
P.S. Percebe-se que me não sei o que escrever? We’ll keep on trying.
P.S.2 O texto acima é pura ficção. Qualquer semelhança com a a realidade de alguém não é intencional. Apesar disso, acredito que muitos, numa altura ou noutra tiveram uma folha como melhor amigo. Eu sei que tive. Depois resolvi viver. Descobri que há pessoas a 3D que fazem melhor efeito do que uma resma de papel em branco. E não se amarrotam para todo o sempre. Embora nem sempre compreendam, embora às vezes censurem e julguem, mas todos nós o fazemos.
Durante muito, muito tempo tentei manter um diário, aliás, foram muitos! Comprava um novo de tempos a tempos, para um fresh start, mas nunca funcionava. Embora este blog não seja, nem de perto nem de longe, o que entendo por diário, é o mais perto disso que tenho, e aquilo que mantenho há mais tempo (nos últimos tempos ganhou algumas teias de aranhas, mas enfim, coisas da vida). É sempre bom ter um refúgio, um espaço pessoal e, embora aberto a todo o mundo, meio privado. Folhas de papel virtual. O bom disto, é que não serve para aquilo de que precisava. Porque já não preciso. Existe porque quero, porque gosto e, porque não? Nada do que aqui escrevo é segredo. Mais ou menos. Nada de mais é revelado, porque não tenho, nem quero precisar de um diário. Tenho o que preciso.
O que escrevi acima não é sobre mim, agora, nem nunca. Escrever ao diário é “kinda lame”
Não escrevo a ninguém. Se preciso de escrever, é sinal de que preciso mais de falar do que de escrever. E quando acho que preciso de falar, eu falo! Quem me conhecer concorda com certeza…
Bem, tenho mais que fazer.
See you later, aligator
